- "Nem um instante penso viver sem ! ti, Senhor. Tenho tudo, quando me sinto perto de ti, porque tu, Senhor, és o meu tesouro! Suspiro por ti, oh! Senhor! Tenho, sede de ti. Somente em ti meu coração descansa".

Em suas longas jornadas em busca de almas para o reino de Deus, os pés de Sundar Singh sangravam...
- Eu não posso rejeitá-lo. Seguirei a Cristo por onde Ele me conduzir.
- Não posso enfraquecer o espírito com esta vinda aqui. Devo dar-lhe uma explicação mais completa: afinal de contas, por que apegar-me-ia eu à vida? Estou bastante forte para viajar de novo e, se necessário, morrer por Jesus.
O médico nada pôde fazer para que ele desistisse daquela viagem.
- Voltarei de novo no outono, se tudo for bem, disse ele, ao se despedir.
E foi. E nunca mais voltou. O seu corpo não foi encontrado em parte alguma. Não houve notícia de que tenha cruzado com algum viajante ou que passasse em algum lugarejo. E provável que no Himalaia esteja hoje a sua sepultura.
Sobre o gelo, sangue: pés feridos em caminhos de brancura, rasgando o alvor da neve. A noite, o frio, o vento, a solidão, o •gelo, o gelo, o gelo... Rubros de sangue, violentados pelos climas glaciais, sobre as montanhas os pés de Sundar Singh deixaram um rastro vermelho, um doloroso rastro de sacrifício pelo Evangelho, testemunho vivo dos caminhos de luz que conduzem a Jesus Cristo e às Planícies da Paz.
Ó vós que na índia, sobre o Himalaia, no Tibete ou em qualquer outro vale de escuridão, trilhais os caminhos da morte, ouvi a voz desse que clamou sobre as montanhas, entre os viajores, nas aldeias, nas cidades, nos continentes, anunciando a Redenção. Aquela voz que se perdeu entre os abismos frios; aqueles pés sangrentos que pela última vez pisaram a face da neve, vê-los-emos nas ruas da Jerusalém eterna, no dia em que, entre glórias e hosanas, contemplarmos no Céu a majestosa e serena face de Cristo!
